Todos os anos milhares de brasileiros iniciam a preparação para concursos públicos acreditando que a aprovação depende exclusivamente de quantidade: mais horas, mais questões, mais materiais, mais resumos, mais cursos.

A lógica parece simples: quem faz mais, aprende mais.

Mas a realidade demonstra exatamente o contrário.

Uma recente entrevista da auditora fiscal Nazli Setton Filippini, aprovada em primeiro lugar em diversos concursos de alto nível, trouxe uma reflexão importante para quem busca aprovação em carreiras públicas: a diferença entre estudar muito e estudar com eficiência. Confira:

A ilusão da quantidade

Um dos maiores problemas da preparação para concursos é a obsessão por números.

Há quem contabilize:

  • horas líquidas estudadas;
  • quantidade de questões resolvidas;
  • número de páginas lidas;
  • quantidade de revisões realizadas.

Embora esses indicadores possam ser úteis, eles não representam necessariamente aprendizado.

Resolver mil questões sem compreender os erros produz apenas uma falsa sensação de produtividade.

O estudante termina o dia cansado, mas não necessariamente melhor preparado.

A verdadeira pergunta deveria ser outra:

Quanto conhecimento você extraiu daquilo que estudou hoje?

Dá uma olhada em dicas simples com o auxílio do neurocientista e professor Pierluigi Piazzi no artigo a seguir:

“Como Memorizar Lei Seca: O Método dos 50 Artigos Inspirado em Pierluigi Piazzi e na LC 95”

O valor de uma única questão

Uma das observações mais interessantes apresentadas na entrevista foi a ideia de que cada questão deve ser tratada como uma aula.

Muitos candidatos comemoram quando acertam uma questão.

Poucos investigam por que acertaram.

Menos ainda analisam as alternativas incorretas.

O resultado é um estudo superficial.

O candidato acerta, segue adiante e perde a oportunidade de consolidar o conhecimento.

O aprendizado profundo ocorre quando cada alternativa é compreendida, quando o fundamento jurídico é revisitado e quando a dúvida é eliminada por completo.

Uma única questão bem explorada pode ensinar mais do que dezenas resolvidas mecanicamente.

O perigo das métricas de vaidade

Vivemos a era dos números.

Nas redes sociais, multiplicam-se relatos de pessoas que afirmam ter resolvido dezenas de milhares de questões ou estudado milhares de horas.

Embora existam casos legítimos, muitos estudantes transformam esses números em objetivo final.

Passam a estudar para produzir estatísticas.

Não estudam para aprender.

Esse comportamento gera ansiedade, comparação constante e frustração.

Cada candidato possui uma realidade diferente.

Há quem estude oito horas por dia.

Há quem consiga apenas duas.

O que determina o sucesso não é a comparação com o desempenho dos outros, mas a capacidade de evoluir continuamente dentro das próprias circunstâncias.

A importância da base

Outro ensinamento relevante diz respeito à construção de fundamentos sólidos.

Muitos candidatos vivem correndo atrás do próximo edital.

Quando surge um novo concurso, abandonam completamente a preparação anterior para iniciar outra.

O resultado costuma ser previsível: muito esforço e pouca evolução.

Sem uma base consistente nas disciplinas centrais da carreira escolhida, cada novo edital se transforma em uma corrida desesperada contra o tempo.

A aprovação raramente é fruto de um único pós-edital.

Ela normalmente representa o resultado acumulado de meses ou anos de construção gradual de conhecimento.

Inteligência artificial não substitui estudo

A entrevista também abordou o uso da inteligência artificial na preparação para concursos.

A tecnologia pode acelerar o aprendizado, esclarecer dúvidas e organizar informações.

Entretanto, ela não substitui o raciocínio crítico.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras devem ser utilizadas como auxiliares, nunca como substitutas da atividade intelectual do estudante.

O candidato continua sendo responsável por verificar fontes, conferir informações e desenvolver sua própria compreensão dos temas estudados.

A tecnologia amplia capacidades.

Ela não elimina a necessidade de esforço.

O apoio que poucos valorizam

Talvez o aspecto mais humano da entrevista tenha sido a valorização do ambiente familiar.

A preparação para concursos costuma ser longa, cansativa e emocionalmente desgastante.

Ter pessoas próximas que compreendam esse projeto faz enorme diferença.

O apoio não precisa significar estudar junto.

Muitas vezes basta compreender a necessidade de renúncias temporárias, respeitar horários de estudo e oferecer incentivo nos momentos de dificuldade.

Nenhuma aprovação é construída apenas por livros.

Ela também é construída pelas pessoas que ajudam o candidato a permanecer no caminho.

Conclusão

A cultura do excesso tem levado muitos concurseiros a acreditar que sucesso significa fazer mais.

Mais horas.

Mais questões.

Mais materiais.

Mais conteúdo.

A experiência dos candidatos de alto desempenho mostra justamente o contrário.

Os melhores resultados costumam surgir quando existe clareza estratégica, profundidade no aprendizado, capacidade de priorização e disciplina para manter o foco no que realmente importa.

No fim das contas, não vence quem estuda mais.

Vence quem aprende melhor.

E quem quiser entender melhor como ela obteve tantas conquistas, visite suas redes sociais:

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